Por Mohammed Ali, na Cidade de Gaza
Enquanto o número de mortos da guerra de Israel em Gaza continua a subir, Mohammed Ali, um pesquisador da mídia para a Oxfam (ONG internacional destinada a combater a fome, a pobreza e as injustiças), que vive na Cidade de Gaza, manterá um diário de seus sentimentos e experiências.
Não somos humanos?
O ar, o mar e a terra na Cidade de Gaza já estão ocupados pelas forças militares israelitas. Também ocupam cérebros, nervos e ouvidos dos seus habitantes.
Numa tentativa de evitar que meus filhos tremam e acordem a cada som de um ataque durante as suas poucas horas de sono e as suas muitas horas sem dormir, coloquei algodão em seus ouvidos . Não tem funcionado.
Eu imagino o quanto isto está sendo prejudicial para seus coraçõezinhos, que não são tão grandes quanto o meu. Eles suportam menos o estresse que lhes está sendo colocado.
Nós usamos todo o combustível do nosso gerador, o que significa que ficamos confinados em uma pequena sala com onze pessoas, com pouca luz durante três dias.
Não temos água pois só podemos bombear água com eletricidade, o que tem sido negado para a Faixa de Gaza desde que este pesadelo começou.
Ao contrário de muitas outras famílias, fomos abençoados ao encontrar 20 litros de benzeno para o nosso gerador. Não chega combustível aqui desde o início deste ataque em Gaza, de modo que tivemos de pagar sete vezes o seu preço habitual.
Temos alimentos só para mais um dia e as fraldas que comprei há duas semanas, já quase terminaram. Eles não são de boa qualidade e pouco tem sido capaz de entrar nesta faixa de terra desde o bloqueio que nos foi imposto há 18 meses. Má qualidade das fraldas significa desagradáveis vazamentos, e para os últimos dias os mais pequenos tiveram de ser banhados em água fria, quase congelante.
A minha irmã que estava conosco na última vez que eu escrevi decidiu voltar para casa, apesar dos nossos protestos. Ela temia que, com reservas alimentares esgotando-se, poderemos ter de comer uma refeição por dia e não duas, como temos feito nos últimos tempos. Em casa ela tem um pouco de comida restando, o suficiente para mantê-la e sua família para passar um tempo mais longo.
Somos agora 11, vivendo juntos na sala de jantar de meus pais. Meu irmão e eu, e as nossas famílias lá, pensando que o primeiro andar pode ser a opção mais segura.
Existe um provérbio árabe que diz que a “morte de um grupo é uma misericórdia”. Acho que se morrermos juntos talvez, só talvez, sentiremos menos dor do que se morrermos sozinhos.
Dormi apenas 8 horas desde o início deste conflito, pois podemos ouvir ataques quase a cada minuto.
Penso comigo mesmo, se um de nós for ferido ou necessitar de atenção médica o que vai acontecer? Ambulâncias estão encontrando dificuldades para chegar aos civis, estradas estão bloqueadas por escombros, as forças israelitas em seu caminho – você poderia sangrar até a morte.
Mesmo que eles conseguissem chegar até nós, talvez a ambulância fosse bombardeada no caminho para o hospital. Se conseguíssemos chegar ao hospital, não há espaço suficiente para nos tratar – há pouca ou nenhuma medicação ou equipamento ou eletricidade para alimentar os aparelhos hospitalares. Nós nem sequer seríamos capazes de sair de Gaza para o tratamento que precisássemos.
Hospitais estão agora usando geradores de eletricidade, o que torna a vida ainda mais difícil para os médicos que estão lidando com o afluxo de feridos. Se o combustível para os geradores se esgotar, os equipamentos de salvação param de funcionar.
Ouvi uma mulher em uma estação de rádio hoje – a ambulância e os bombeiros não puderam chegar a ela e eu acho que ela pensava que a estação de rádio poderia ser capaz de fazer alguma coisa. Ela estava gemendo baixo ao telefone: “A nossa casa está pegando fogo, minhas crianças estão morrendo, me ajude”. Eu não sei o que aconteceu com ela e seus filhos. Não quero imaginar.
Perco muito do meu tempo a pensar que esta poderia ser a última hora da minha existência.
Quanto eu tento adormecer, ouço no rádio o número de pessoas que morreram nas últimas horas. Pergunto-me se amanhã de manhã, vou fazer parte dessa contagem, uma parte da próxima notícia.
Eu serei apenas mais um número para todas as pessoas assistindo à morte e destruição em Gaza ou talvez o fato de eu trabalhar para a Oxfam signifique que vou ser um nome, e não apenas um número. Eu provavelmente seria lembrado durante um minuto e momentos mais tarde esquecido, como todas as outras pessoas que tiveram suas vidas tomadas deles.
Não tenho medo de morrer, eu sei que um dia todos nós devemos morrer. Mas não assim, não sentado ociosamente em minha casa com meus filhos nos meus braços, à espera de nossas vidas serem retiradas. Estou furioso por esta injustiça.
O que a comunidade internacional espera para agir? Ver ainda mais pessoas e famílias desmembradas? O tempo está passando e os número de mortos e de feridos estão aumentando. O que eles estão esperando?
O que está acontecendo é contra a humanidade, nós não somos humanos?
Artigo originalmente publicado em inglês na Aljazeera.net.

A situação em Gaza está difícil e é muito dura para os civis inocentes que estão no meio do fogo cruzado. Eles não tem opção e ninguém que os defenda. Os militantes do Hamas não estão dando a mínima para seus civis e só pensam na guerra contra os judeus. Os civis que morrem são meros mártires. Já Israel mostra que não está se defendendo. Está atacando para acabar de vez com o seu adverário. Acredito que mataram civis sabendo que eram civis (em toda guerra isso acontece) e já acertaram a ONU, que está se omitindo de sua função, que é promover a paz no mundo. Resta uma semana para George W. Bush deixar a Casa Branca. Seria ótimo que Obama no dia de sua posse criticasse Isarel e mostrasse que ainda há uma esperança na América.
Há um vácuo de poder que favorece a situação, somada à preocupação dos países com a crise econômica mundial. Enquanto isso, a tragédia vai aumentando e civis, principalmente crianças, morrem estupidamente, e mesmo os que não morrem sofrem os horrores da privação de água e alimentos.
É lamentável, enquanto esse povo sofre o mundo quer é vender armas.
Olá
Eu continuo falando a mesma coisa não interessa quem tem razão,quem não tem,quem está certo ou errado,nenhum tipo de guerra vale a pena,essa menos ainda,pois o fundo dela é e sempre vai ser religioso,por religião as pessoas morrem em vão,acabam a a vida de crianças inocentes,que mesmo pequenas e inocentes viram como o homem pode ser tão destrutivo,mesquinho,hipocrita…
Abraços.
Olá Renata,
Benjamin Franklin, além de cientista e inventor, era estadista. Uma de suas melhores frases é que “nunca houve uma guerra boa nem uma paz ruim.” Esperemos que a boa paz chegue imediatamente. Abraços