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Archive for novembro \30\UTC 2008

Agora temos janelas abertas em Brasília e em Fortaleza. Visite http://windowstotheworld.wordpress.com . Participe, abra sua janela para o mundo.

Foto de Francesca Nocivelli

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Fafá, 11 anos, devia estar brincando de casinha, de roda, de amarelinha. Devia estar terminando o dever de casa, conversando com as amiguinhas. Devia estar vendo nuvens e imaginando nelas um castelo, um rosto, um urso e tudo o que a imaginação infantil é capaz de fazer ver. Devia estar recebendo em sua face corada um beijo de boa noite dos pais. Mas o passado ficou imperfeito.

E o dever-ser se transformou em um tempo verbal lamentável, o futuro inalcançável, o deveria-ser-mas-não-é. Fafá não estava brincando, não estava estudando, não estava recebendo amor de seus pais. Não estava sendo tratada como criança. Fafá estava sendo usada como objeto sexual. Seus pais, em vez de lhe desejarem boa noite, cobravam, no fim do dia, os trocados recebidos pela intimidade infantil raptada.

Dedé tem 13 anos e devia estar fazendo molequices, jogando bola, subindo em árvores. Devia estar na escola, devia estar andando de bicicleta. Mas, assim como Fafá, Dedé também é vítima da imperfeição pretérita. Devia estar, mas não está. Em vez disso, é explorado pelo tráfico de drogas. Faz papelotes de maconha e espera ser promovido a “gerente da boca”. Sabe, porém, que a chance maior é a de ser preso ou morrer antes de que isso aconteça. Não tem medo do destino, já que lhe tiraram tudo -inclusive sua dignidade.

Fafá e Dedé são vítimas de duas das piores formas de exploração do trabalho infantil , conforme a Convenção 182 da Organização Internacional do Trabalho -a exploração sexual comercial e a utilização de crianças na produção e tráfico de drogas. Infelizmente, existem milhares de Fafás e de Dedés entregues aos próprios destinos, em afronta ao artigo 227 da Constituição Federal, que diz ser dever de todos – da família, da sociedade e do Estado – proteger crianças e adolescentes.

Então, como transformar esse passado imperfeito em um presente mais-que-perfeito? Em primeiro lugar, a óbvia constatação de que somente com investimentos pesados em educação se pode romper o ciclo da pobreza. Infelizmente, também a educação sofre dessa doença gramatical -o futuro que parece inalcançável. Entra governo, sai governo… e a educação continua em segundo plano.

Contudo, quando se fala em dever, se está dizendo que alguém tem uma dívida, uma obrigação. Assim, quando se diz que Fafá devia estar brincando, mas está sendo explorada sexualmente, a dívida recai sobre todos nós.

O que estamos fazendo para cumprir a nossa parte da obrigação? E o que podemos fazer? Podemos nos conscientizar, discutir, defender nossas crianças, cobrar dos governantes, nos articularmos, eleger aqueles comprometidos com a defesa dos direitos das crianças.

Este texto foi especialmente adaptado pelo autor para este blog. O original pode ser lido em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1011200509.htm ou http://www.prt10.mpt.gov.br/notonline/2005/art200506.html


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Cheguei na bera do porto
onde as onda se espaia.
As garça dá meia volta,
senta na bera da praia.
E o cuitelinho não gosta
que o botão de rosa caia.

Quando eu vim de minha terra,
despedi da parentaia.
Eu entrei no Mato Grosso,
dei em terras paraguaia.
Lá tinha revolução,
enfrentei fortes bataia.

A tua saudade corta
como o aço de navaia.
O coração fica aflito,
bate uma, a otra faia.
E os oio se enche d’água
que até a vista se atrapaia.

Esta é a canção “Cuitelinho” que a saudosa Nara Leão interpretou com sua voz meiga. “Cuitelinho” é o nome do beija-flor em algumas partes do Centro-Sul do Brasil. Alguns de nós chamariam essa estrutura de “fala caipira”, de “português errado”, mas que o lingüista, consciente de que essas denominações estão cobertas de preconceito lingüístico, chamaria de português não-padrão. O fato de não ser um padrão não significa que esta variedade do português seja “errada”. Muito pelo contrário, ela tem uma clara lógica lingüística, tem regras que são coerentemente obedecidas, e serve de material para uma literatura popular muito rica.

Podemos observar a ausência do plural e isso é muito comum no português não-padrão que tem regras gramaticais diferentes das do português-padrão. No português-padrão utilizamos a concordância de número e, no português não-padrão, a regra do plural é marcar uma só palavra para indicar um número de coisas maior que um. A regra tem uma hierarquia rígida: a marca indicadora de plural é usada apenas no artigo definido. Quando não há artigo, ela vai para a primeira palavra do grupo a ser pluralizado, que pode ser um substantivo “terras paraguaia” ou um adjetivo “fortes bataia”.

Se prestarmos atenção na fala das pessoas a nossa volta, iremos perceber que em situações informais, descontraídas, mesmo as pessoas ditas cultas aplicam a regra do plural do Português não-padrão. Essa regra de eliminação das marcas de plural redundantes não existe só no português não-padrão, duas outras línguas estrangeiras mais ensinadas nas escolas, o inglês e o francês, têm regras bastantes parecidas. Vejamos: My beautiful yellow flowers died yesterday e Je veux te donner les belles fleurs jaunes qui poussaient dans mon jardin (no caso do francês, a ausência de plural não se encontra na escrita, mas na oralidade).

Fonte: A língua de Eulália: novela sociolingüística, de Carlos Bagno, editora Contexto.

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dar-e-receberNa primeira vez que veio à minha casa vestia-se com roupas finas. Trouxe peças de louça e cristal, vinhos e frutas exóticas. Confessei-lhe que estava constrangido por ser pobre e não ter como retribuir tanta gentileza. Disse que não sabia como ele podia deixar o seu palácio para vir comer uma comida tão simples. Ele apenas sorriu. Antes de almoçarmos, rezamos juntos e eu pedi a Deus que compensasse sua generosidade.

Na segunda visita trouxe-me apenas algumas flores, aparentemente colhidas no campo. Reparei que agora usava roupas mais surradas que as minhas. Perguntei-lhe o que acontecera. Respondeu-me que perdera toda a sua fortuna. Espantado, afirmei que isso era muita injustiça, logo ele que era tão generoso! Deus não ouvira minhas preces. Indaguei-lhe se não estava revoltado. Como sempre, sorriu e me disse: Deus ouviu suas preces e manteve suas portas desinteressadamente abertas para mim, assim como eram desinteressados os presentes que eu trouxe. Saber dar e saber receber é um dos mistérios da vida. Muitos fecharam suas portas, agora que enfrento este infortúnio. Mas devemos saber dar, e também saber receber. Assim, eu recebo o seu acolhimento e a sua amizade com muita alegria.

Ninguém é tão pobre que não possa oferecer amor.

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O professor brasileiro de primário é um dos que mais sofre com os baixos salários, mostra pesquisa feita em 40 países pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) divulgada ontem, em Genebra, na Suíça. A situação dos brasileiros só não é pior do que a dos professores do Peru e da Indonésia.”

Veja a íntegra da matéria aqui: http://raquelrfc.blogspot.com/2008/11/salario-do-professor-no-brasil-e-o-3.html

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Ladrão de beijo

O G1 publicou uma matéria que chama a atenção. Um rapaz foi absolvido da tentativa de “roubar um beijo”. Ele não só não conseguiu o intento, como foi agredido pela mulher que tentou beijar. Mas o que queremos destacar é ter a mulher afirmado: “Se ele fosse o Gianecchini, a reação teria sido outra”. O mesmo ato poderia ter sido classificado de crime ou não ser dependendo de quem o pratica? É claro que aqui o que está em questão é o consentimento. Isso nos faz pensar sobre o quão sutis são as relações humanas. Veja-se que se tratou de uma tentativa de um beijo na face. Vale a pena ler a íntegra da matéria em http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL881494-5598,00.html

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