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Archive for março \30\UTC 2009

(Por Cris Lopes)

Na semana passada, a revista Época fez uma matéria alarmista a respeito do aumento de cirurgias de implantes de silicone que superam as de lipoaspiração no Brasil. São 629 mil plásticas por ano, sendo 96 mil para aumento de mamas, 5 mil a mais que as de lipoaspiração. Segundo a revista, as cirurgias de implante de silicone na mama estão em torno de R$ 6.000,00 a R$ 8.000,00 e as mulheres de todas as idades estão realizando esse tipo de cirurgia.

A facilidade na forma de pagar, com a divisão do valor em parcelas, popularizou o acesso das classes baixa e média às cirurgias estéticas. Os motivos para se aumentar as mamas são os mais diversificados possíveis: “aparência de ovo frito”, “agradar o parceiro”, “perda do volume dos seios depois da amamentação” etc.

Minha sobrinha de 22 anos, linda, corpo bonito, seios no tamanho nº 40, está querendo aumentar os seios! O que a moda faz às mulheres! Penso que para se resistir às tendências da moda devemos ter uma personalidade forte, uma elevada autoestima. O padrão anterior a esse era do modelo “morena-farta-de-bumbum-grande-e-peito-pequeno”. Confesso que tive vontade de reduzir meus seios no passado por causa dessa moda, mas resisti bravamente. Digo bravamente porque não foi nada fácil. Hoje posso dizer que estou feliz com a minha numeração.  Sei muito bem como as adolescentes e mulheres se sentem quando comparam seus corpos ou partes deles ao padrão vigente, por isso acredito ser importante se trabalhar a autoestima.

Não sou contra o implante, a lipoaspiração ou plástica quando a aparência torna-se um problema maior para as mulheres. O que acho desnecessário é a mulher desejar passar por um procedimento cirúrgico arriscado somente por um capricho da moda. As cirurgias estéticas são propagadas pelos meios de comunicação como uma escolha simples, como se a mulher fosse à loja para comprar novos seios, uma cintura mais fina e um nariz arrebitado.

A quem as mulheres querem agradar?

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Impunidade

A prisão e, logo após, a libertação da proprietária da loja de artigos de luxo, Daslu, reforça em todos nós a sensação de impunidade. O raciocínio jurídico do Supremo Tribunal Federal é de que a decisão que impôs a condenação ainda não é definitiva, não transitou em julgado, para usar a expressão do juridiquês.

A tese poderia até fazer algum sentido, se o processo judicial brasileiro fosse rápido. Acontece que, ao contrário de outros países, em que o recurso é uma exceção, no Brasil é uma regra. Além disso, temos duas instâncias ordinárias, e mais duas extraordinárias. O processo demora vários anos percorrendo cada uma das instâncias. Ao final, décadas terão decorrido e o réu não terá sofrido qualquer punição. Pelo contrário, enquanto espera a decisão final, continuará praticando a ilegalidade e financiando sua defesa com estes recursos ilícitos.

É o que provavelmente acontecerá neste caso da Daslu. É inevitável a sensação, ou melhor dizendo, a percepção de que há impunidade.

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futebol-e-refugiadosACNUR e Brazsat trazem refugiados para o futebol brasileiro

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e o Brazsat Futebol Clube anunciaram no dia 16 de março uma parceria inédita para promover o futebol como ferramenta de inclusão social e desenvolvimento de refugiados e solicitantes de refúgio no Brasil.

Três jovens refugiados já estão atuando no time e a parceria com o Brazsat reflete a importância dada pelo ACNUR ao esporte, que promove uma vida saudável e cria um ambiente seguro para que os refugiados possam se desenvolver e reconstruir suas vidas em uma nova comunidade. Com o apoio da agência e de seus parceiros em todo o país, o Brazsat está selecionando jovens refugiados com talento para o futebol e, com isso, montando uma equipe única em todo o mundo.

Entre os atletas do time está o jovem Ali Abu Taha, que integra a equipe do Brazsat desde o ano passado. Ele chegou no Brasil em setembro de 2007 com outros refugiados palestinos vindos do Iraque, beneficiados pelo programa brasileiro de Reassentamento Solidário.

Outros dois jovens estão em fase de teste no Brazsat, um refugiado colombiano que atuou na equipe infantil do S.C. Internacional, em Porto Alegre, e um solicitante de refúgio de Serra Leoa, que jogou no principal time do seu país, o Kallon Futebol Clube.

A parceria do ACNUR com o Brazsat é resultado da campanha Ninemillion.org, que tem como objetivo promover a educação e o esporte entre cerca de nove milhões de crianças e jovens refugiados em todo o mundo. A campanha é apoiada por parceiros corporativos do ACNUR como a Nike, Microsoft, Pricewaterhouse-Coopers e Earth Water International, entre outros.ACNUR e Brazsat trazem refugiados para o futebol brasileiro

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Refúgio no Brasil – Os palestinos são o maior grupo de refugiados recebido de uma só vez pelo programa brasileiro de reassentamento. Trata-se de um grupo heterogêneo, constituído por pessoas de origem urbana que viviam em Bagdá e proximidades. Cerca de 75% são adultos, na maioria homens.

Os palestinos que chegaram ao Brasil foram beneficiados pelo Programa de Reassentamento Solidário, criado para receber refugiados que escaparam de conflitos armados ou violência generalizada, mas que não podem continuar no primeiro país de asilo. O programa regional de reassentamento foi desenvolvido no contexto do Plano de Ação do México, uma estratégia conjunta de proteção aos refugiados na América Latina e assinado por 20 países da região em 2004, inclusive o Brasil.

Atualmente, o maior grupo de reassentados é composto por vítimas de conflito armado na Colômbia. O reassentamento é uma medida de proteção que oferece um ambiente mais seguro para os estrangeiros que continuam enfrentando ameaças, perseguições e problemas de integração no país de refúgio.

De acordo com o Conare, o Brasil possui cerca de 3,4 mil refugiados reconhecidos, provenientes de 69 nacionalidades diferentes. Grande parte (78%) vem do continente africano, e os angolanos formam a maior população (1.684 pessoas).

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São tidos como refugiados aquelas pessoas que são forçadas a fugirem de seus países, individualmente ou parte de evasão em massa, devido a questões políticas, religiosas, militares ou quaisquer outros problemas. A definição de refugiado pode variar de acordo o tempo e o lugar, mas a crescente preocupação internacional com a difícil situação dos refugiados levou a um consenso geral sobre o termo. Como definido na  Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados das Nações Unidas – 1951 (A Convenção dos Refugiados), um refugiado é toda pessoa que:

“devido a fundados temores de ser perseguida por motivos de raça, religião, nacionalidade, por pertencer a determinado grupo social e por suas opiniões políticas, se encontre fora do país de sua nacionalidade e não possa ou, por causa dos ditos temores, não queira recorrer a proteção de tal país; ou que, carecendo de nacionalidade e estando, em conseqüência de tais acontecimentos, fora do país onde tivera sua residência habitual, não possa ou, por causa dos ditos temores, não queira a ele regressar.”
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Segundo informações do Alto Comissariado das Nações Unidas para Regugiados, pode passar de 60 milhões o número de refugiados em todo o mundo. Algumas pessoas estão confinadas a tanto tempo em campos de refugiados, sem poder sair, sem esperanças, sem pátria, que existem crianças que nasceram e estão crescendo nestes lugares, sem conhecer outra realidade.

ver estatísticas do ACNUR

O que fazer diante desta realidade tão cruel? Em primeiro lugar, buscar informações. A situação dos refugiados e as causas desta tragédia são ignoradas por grande parte da população brasileira e mundial. Além disso, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados aceita doações:

Doações podem ser feitas neste link ou neste

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Dado, cumpra a Lei Maria da Penha

(postado no blog Viva Mulher)
Uma pesquisa recente do Ibope/Themis indica que 68% das brasileiras já conhecem a Lei Maria da Penha, considerada um avanço no combate à violência contra a mulher. Mesmo assim, de acordo com a enquete, 42% das vítimas de ataques ou hostilidades não costumam procurar apoio.
No ano passado, um episódio envolvendo os globais Dado Dolabella e Luana Piovani terminou com o ator indiciado por agressão dentro dos parâmetros da Lei Maria da Penha. Recentemente ele foi preso por descumprir determinação judicial que o obrigava a não se aproximar de Piovani, sua ex-namorada.
“A Lei Maria da Penha é muito dura e precisa ser respeitada, não é brincadeira. Se ele chegou em um lugar onde a Luana estava, ele deveria ter saído do local”, afirmou a delegada Inamara Costa, responsável por deter Dolabella.
Há, porém, quem discorde e ainda por cima insista em palpitar publicamente sobre o caso: “Vamos supor que o Dado esteja mastigando um delicioso atum no Sushi Leblon e, repentinamente, entra a Luana. O que deve ele fazer? Fugir dali, correndo, sem pagar a conta? Ou ainda ir para debaixo da mesa, chamar o garçom, explicar a situação, cobrir o rosto com um guardanapo e sair de fininho?”, disse o vice-presidente de operações da Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, em seu blog.
Sim, meu caro, é exatamente isso: ele deve deixar o local imediatamente. A acusação contra Dolabella é apenas uma das centenas ou milhares que se enquadram na Lei Maria da Penha. Se nem ele, que é vigiado 24 horas por dia por paparazzis, respeita a nova legislação, por que os demais o fariam?
Ao dizer isso não acho que Dolabella tenha que ser um mártir ou a única prova concreta do engajamento do Brasil no combate à violência contra a mulher. Mas ele tampouco pode ser um exemplo negativo. Qualquer um que cometeu uma agressão, tem que responder por isso. Simples assim.
E se a legislação endureceu, é porque as leis anteriores não foram suficientes para evitar mortes, mutilações, estrupros e todo o tipo de agressões. Não é à toa que homenagearam a farmacêutica Maria da Penha: em 1983, o marido dela, um professor universitário, tentou assassiná-la por duas vezes. Na primeira com arma de fogo, deixando-a paraplégica, e na segunda por choques elétricos e afogamento. Contudo, ele só foi punido depois de 19 anos de julgamento e ficou apenas dois anos cumprindo pena em regime fechado.
Escrito por Maíra Kubík Mano às 11h01

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A hipótese de haver vida em outros planetas tem sido admitida há muito tempo. Giordano Bruno, por exemplo, foi queimado vivo por defender esta possibilidade (ver Religião, ciência e preconceito). Mas, desde que ingressamos na era da eletrônica, a possibilidade de contato com seres extraterrestres vem aumentado geometricamente. De um lado, telescópios cada vez mais potentes tem-se tornado capazes de mostrar planetas em órbita de estrelas. Radiotelescópios são apontados para milhares de pontos no céu, em busca de emissão de ondas de rádio artificiais.

Mas, principalmente, as nossas transmissões de rádio e de TV, iniciadas no século XX, estão começando a alcançar estrelas vizinhas, podendo ser captadas por outras civilizações tecnólogicas.

É cada vez mais provável que aconteça um encontro de civilizações interplanetárias, o que levanta  muitas questões. Será que poderemos confiar nestes visitantes? Se eles receberem nossas emissões de rádio e TV antes que nós recebamos as deles, conhecerão nosso comportamento histórico. Saberão que os gregos saíram guerreando e dominando povos do oriente, dos Balcãs à Índia, saberão que os romanos fundaram um império que ocupou quase toda a europa, saberão que os Hunos ocuparam a Ásia central e parte da Europa, saberão que os Espanhóis chegaram na América Latina e exterminaram civilizações milenares, saberão que os alemães, italianos e japoneses quiseram conquistar o mundo, saberão que os russos fundaram um império chamado União Soviética, saberão que os americanos usaram sem a menor clemência armas atômicas contra milhares de civis, inclusive mulheres e crianças, saberão que os franceses e depois os americanos invadiram um país pobre, chamado Vietnã. Todas estas guerras e invasões de povos mais armados e organizados contra povos mais frágeis resultou na morte e sofrimento de milhões de pessoas.

Conhecendo o passado da civilização humana, os extraterrestres pensarão duas vezes antes de fazer contato. Se forem um povo pacífico, o mais sensato seria manter-se afastados e não revelar sua localização. Assim, se eles se revelarem para nós é porque, muito provavelmente, são mais fortes e talvez tenham as mesmas intenções dos espanhóis que chegaram no novo mundo. Para frustração de quem sonha com este encontro interplanetário para elevar a civilização humana a um novo patamar, é preciso considerar que o cenário de invasão, retratado tantas vezes no cinema, é o mais provável.

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Richard Dawkins, no livro “Deus, um delírio“, especificamente no capítulo “A religião como subproduto de outra coisa” discorre sobre a possibilidade da religião ser um efeito colateral de uma característica evolucionária, comparando-a com o que acontece com as mariposas, programadas para seguir a luz do sol, mas que, diante da invenção da lâmpada elétrica, morrem queimadas.

Diz ele, muito em resumo, que as crianças são programadas para aceitar os ensinamentos dos mais velhos sobre, por exemplo, não comer frutinhas vermelhas ou não ficar na beira do precipício, evitando as mortes que decorreriam do aprendizado por experiência própria.  Isso seria uma vantagem evolutiva. Mas essa propensão à obediência tem o efeito colateral de tornar as crianças suscetíveis a acreditar em informações falsas, fantasiosas ou superticiosas, categoria que Richard Dawkins inclui as religiões. Assim, da mesma forma que os ensinamentos baseados em fatos, como a frutinha e o abismo, os ensinamentos arbitrários são repassados de geração para geração.

O desenvolvimento desta reflexão tem sido chamado de vírus mental, princípio com o qual concorda o escritor Arthur C. Clarke, que em entrevista à revista Scientific American, Brasil, de maio de 2008, afirmou:

“Eu tenho uma vaga visão sobre as religiões e concordo com a noção de que elas são formas de vírus mentais. É fato que elas causaram mais miséria e sofrimento em todo o mundo que as guerras. E é muito fácil constatar que muitas guerras históricas foram inspiradas ou motivadas pelas religiões. Recentemente defini religião como uma crença no que se sabe que não é verdade. E se a fé já é ruim o suficiente, o fanatismo é ainda pior. Vemos suas manifestações por todo o mundo, guiando as pessoas para toda sorte de extremismo e fundamentalismo.”

Parecem-nos acertados estes pensamentos, mas incompletos. O entendimento de como funciona a transmissão do ensinamento religioso é importante pois este mecanismo pode ser usado para o mal, transmitindo-se toda sorte de convicções que tem por objetivo a dominação de pessoas, ou seja, é uma ferramenta que pode ser usada para a obtenção do poder autoritário.

Mas enxergar apenas o lado negativo da religião é ser preconceituoso. Ensinamentos abstratos como o amor ao próximo, a solidariedade, os direitos das mulheres, os direitos humanos, a preservação da natureza, diferem dos ensinamentos objetivos do tipo “evitar frutinha vermelha” mas são igualmente úteis para a sobrevivência e, portanto, para o processo evolutivo.  Mas todos os ensinamentos positivos podem ser transformados em negativos, se seguidos sem qualquer reflexão, sem análise crítica.

Assim é que, por exemplo, podemos citar o islamismo, uma religião que originalmente atribuía igual valor aos homens e mulheres, mas que sofreu uma deturpação para propagar exatamente o contrário, a submissão das mulheres e a sua desvalorização.

Ou o cristianismo, principalmente na corrente católica, que concentrou o poder na mão dos homens, inserindo ensinamentos discriminatórios contra as mulheres, o que provavelmente contradiz o que Jesus Cristo pregava.

Em conclusão, a religião não é em si um subproduto negativo da evolução. Mas a fé cega, baseada na ignorância e no obscurantismo supersticioso, é. Assim como a curiosidade científica não é um mal, mas sim a utilização do conhecimento científico para a dominação e a violência.

Se as mariposas tivessem capacidade de crítica e reflexão não se deixariam enganar pela luz artificial da lâmpada elétrica.

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Acompanhamos com preocupação o anúncio da excomunhão dos médicos e da mãe da infeliz criança de nove anos vítima de violento estupro.  Contudo, embora a posição religiosa nos pareça desumana e cruel, está nos limites do direito de liberdade de expressão e de religião, ou seja, é legítima.

O fato lembra a discussão recente em torno das pesquisas com célula tronco. Mas há uma importante diferença. Naquela oportunidade houve uma tentativa de se impor certo entendimento doutrinário religioso como fundamento jurídico que resultaria numa decisão a ser imposta a toda população, independente do credo. Tal atitude ultrapassava os limites do exercício religioso e do direito de opinião e, portanto,  era ilegítima.

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