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Archive for the ‘Teatro’ Category

Semianyki (Teatr Licedei | Rússia)

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Numa casa bem comum, com roupas estendidas no varal, e muita bagunça, a mãe de quatro filhos traz o quinto na barriga. O pai divide suas atenções entre a família e a vodca, as responsabilidades da vida adulta e a vontade de partir. As crianças, hiperativas, não perdem nenhuma chance de infernizar o pai, com brincadeiras quase fatais.

Trata-se de uma família normal, mas elevada à décima potência. No exagero, todos enxergamos um pedaço de nós mesmos e de nossas famílias.

A trupe leva as técnicas de palhaçada ao limite do sublime. É impossível não ficar hipnotizado pelo riso non sense. Exceto para aqueles mau-humorados crônicos que se aborrecem com os beijos dos atores e umas gotas de água.

Criada em 1968 em Leningrado (hoje São Petersburgo), a trupe é referência mundial no teatro de clown.

O Licedei encerrou sua turnê brasileira no dia 21 de junho de 2009, na Mostra Internacional de Teatro do Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília.

Para quem não pôde assistir ao vivo, vale a pena clicar aqui . Perde-se, é claro, a interação com os personagens, e a mágica envolvida nesse processo. Mas vale mesmo assim.

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Bertold Brecht, 1941
Bertold Brecht, 1931

(Por Cris Lopes)

Eugen Berthold Friedrich Brecht nasceu em 10 de fevereiro de 1898, em Augsburg, e faleceu em Berlim, no dia 14 de agosto de 1956. Foi um importante dramaturgo, diretor, poeta e encenador alemão, responsável por aprofundar o método de interpretação do teatro épico, uma das grandes teorias de interpretação do século XX.
Nesse fim-de-semana, na Capital da República, no Teatro Villa-Lobos, foi encenada a peça de Brecht, A boa alma de Setsuan (1941). Esta foi escrita na época em que o dramaturgo estava no exílio da Alemanha nazista. A história é uma metáfora passada em uma província imaginária da China. Segundo Marco Antonio Braz, diretor da peça, a “chinesice” é uma forma humorística de nos fazer refletir sobre a natureza do bem e do mal e suas conseqüências no cotidiano das relações humanas. Três deuses procuram uma alma boa e, quando estavam cansados de procurar, encontram Chen Te, uma prostituta, que lhes oferece abrigo. Os deuses agradecem a hospitalidade com dinheiro e ela consegue melhorar sua vida, mudando de profissão. Ao comprar uma loja de tabacaria, desempregados e uma família inteira de pedintes a invadem. Chen Te lhes dá abrigo porque não consegue dizer não. Ela tem consciência de ser explorada por eles e traveste-se de um primo para colocar ordem na loja. Aí encontramos a questão máxima da peça: como ser boa sem ser boba? Como não ser boa sem causar danos?
Brecht não queria envolver o espectador na ação, mas queria fazê-lo pensar e julgar – lá da sua privilegiada cadeira; ao invés de conduzir a ação para um desfecho, queria mantê-la em tensão permanente. Por isso a peça não tem um final e coube a nós, espectadores, refletirmos sobre qual seria a melhor maneira de lidar com essas questões de ser solidário ou não em uma sociedade que dissemina o individualismo.
O bom teatro está de volta! Parabéns ao diretor Marco Antonio Braz e ao maravilhoso elenco.

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