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Posts Tagged ‘dicas literárias’

resistenciaAgnès Humbert teve a chance de fugir para o sul da França, antes que Paris fosse invadida pelos nazistas. Também poderia continuar com seu trabalho de bibliotecária, apenas observando a colonização de seu país. Mas ela sentiu que enlouqueceria se não fizesse alguma coisa para reagir. Em Paris, ela reuniu-se a uma dúzia de companheiros com a mesma sensação. O plano era simples, uma pequena organização com o objetivo apenas de trocar notícias, redigir e distribuir panfletos. Mas parte do grupo pagaria com a própria vida a reação. Eles sabiam que isto poderia acontecer mas não recuaram.

Agnés Humbert sobreviveu à escravidão. Foram anos de sofrimento em que ela lutou para manter a sanidade e um mínimo de dignidade. No livro “Resistência” ela relata os anos em que passou por esta provação.

A pergunta que me faço é como reagiríamos na situação vivida por Agnès. Será que teríamos sua força e coragem? A força e a coragem de uma mulher que não escolheu estar em guerra, mas escolheu defender a sua pátria.

”As mulheres sempre perdem a guerra. Não a querem, mas a perdem. Perdem quando estão no caminho dos exércitos e se tornam botim. Perdem quando batalham em silêncio nas cidades esvaziadas dos seus homens, para manter sólida a retaguarda e conservar a ordem do país. Perdem quando recebem os seus homens num caixão ou quando eles voltam com o equilíbrio despedaçado. Perdem quando se apaixonam pelo inimigo e quando o inimigo se apaixona por elas.”

Trecho do prefácio de Marina Colsasanti

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Capa do livro Clube da Luta

Capa do livro Clube da Luta

Clube da luta, de Chuck Palahniuk, é um romance norte-americano que li em 2003. Assisti ao filme também e gostei. O que me fez ler Clube da luta foi um trabalho que estava desenvolvendo a respeito da violência. Mas, além desta, me deparei com outros elementos, como a sociedade do consumo, o individualismo, a opressão do capitalismo, a insônia e a busca desenfreada para preencher o vazio existencial. Há muito mais elementos a se desvelar na ficção que não caberiam aqui e que ficarão ao sabor do leitor ávido por descobertas. A adaptação para o cinema me surpreendeu porque a narrativa é plena de detalhes, mas o roteirista Jim Uhls conseguiu resgatá-la com maestria, mesmo dando mais ênfase à violência. Destaco uma passagem do romance em que o narrador não consegue dormir e, para conseguir dormir um pouco, freqüenta um grupo de apoio para pessoas que têm câncer:

” Entrei no meu primeiro grupo de apoio há dois anos, depois de consultar o médico sobre a minha insônia, outra vez. Eu não dormia havia três semanas. Três semanas sem dormir, e tudo se transforma numa experiência extracorpórea. O médico disse:

– A insônia é apenas um sintoma de algo muito maior. Descubra o que está errado de fato. Ouça o seu corpo.”

A partir daí, o narrador, questionando sua insônia, encontra uma série de motivos para mudar o sistema em que vive. Enfim, é uma crítica ao mundo ocidental e à sociedade americana.

PALAHNIUK, Chuck. Clube da luta. Trad. Vera Caputo. Ed. Nova Alexandria, São Paulo

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primeiro-cavaleiroO Primeiro Cavaleiro”, de Adriano Gehres, é uma história muito interessante que nos leva a refletir sobre como será nosso país no futuro. No primeiro capítulo, recebemos um soco no estômago, pois o autor nos alerta para a realidade do poder do tráfico no Brasil, que financia candidatos a governador nas eleições. O tráfico exerce o domínio sobre a favela, ditando ordens se escolas, bancos ou comércio podem abrir ou não. Assim o autor tece de uma maneira criativa a delicada relação do opressor e do oprimido, neste caso a cidade e a favela, e vice-versa, porque esta também oprime seus próprios moradores e a cidade através da violência. Que solução teríamos para pôr fim ao conflito? Na história, o Estado isola a favela do resto da cidade e do mundo. A favela transforma-se em uma prisão. Os cavaleiros medievais são os principais personagens que resgatam a honra e a dignidade humana perdidas na favela. Embora o livro tenha sido indicado ao público juvenil, poderá ser apreciado por pessoas de todas as idades. Vale à pena conferir!
Gehres, Adriano. O primeiro cavaleiro. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2005.

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