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Posts Tagged ‘guerra’

pomba ameaçada

“Pacifistas são tão ingênuos, quanto belicistas são insanos.”

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resistenciaAgnès Humbert teve a chance de fugir para o sul da França, antes que Paris fosse invadida pelos nazistas. Também poderia continuar com seu trabalho de bibliotecária, apenas observando a colonização de seu país. Mas ela sentiu que enlouqueceria se não fizesse alguma coisa para reagir. Em Paris, ela reuniu-se a uma dúzia de companheiros com a mesma sensação. O plano era simples, uma pequena organização com o objetivo apenas de trocar notícias, redigir e distribuir panfletos. Mas parte do grupo pagaria com a própria vida a reação. Eles sabiam que isto poderia acontecer mas não recuaram.

Agnés Humbert sobreviveu à escravidão. Foram anos de sofrimento em que ela lutou para manter a sanidade e um mínimo de dignidade. No livro “Resistência” ela relata os anos em que passou por esta provação.

A pergunta que me faço é como reagiríamos na situação vivida por Agnès. Será que teríamos sua força e coragem? A força e a coragem de uma mulher que não escolheu estar em guerra, mas escolheu defender a sua pátria.

”As mulheres sempre perdem a guerra. Não a querem, mas a perdem. Perdem quando estão no caminho dos exércitos e se tornam botim. Perdem quando batalham em silêncio nas cidades esvaziadas dos seus homens, para manter sólida a retaguarda e conservar a ordem do país. Perdem quando recebem os seus homens num caixão ou quando eles voltam com o equilíbrio despedaçado. Perdem quando se apaixonam pelo inimigo e quando o inimigo se apaixona por elas.”

Trecho do prefácio de Marina Colsasanti

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Em 2150, no sec. XXII, depois de 50 anos tranquilos naquele país que o acolheu, quando o seu próprio tornou-se impossível para viver, Machado recebe uma intimação: estava sendo acusado de ter participado de um dos maiores genocídios da humanidade, quando uma ditadura sangrenta havia exterminado milhões de cristãos, sob o olhar complacente da maioria muçulmana no mundo.

Glória, a filha de Machado, não podia acreditar em tamanha injustiça. Seu pai era um pregador dos evangelhos de Cristo, e justamente por isso fora obrigado a fugir. Como advogada, fez tudo que estava a seu alcance para libertar seu pai de passar os poucos anos que lhe restavam de vida num presídio. Chegou a discutir rispidamente com o Promotor de Justiça encarregado do caso, Mohamed Ali, dizendo que ele estava tentando expiar a própria culpa, usando o pai de Glória. O Promotor defendeu-se dizendo que não se tratava disso, e sim da importância de manter viva a memória da tragédia, para que ela não se repetisse, bem como a necessidade de não deixar impunes todos os culpados.

Glória conseguiu a absolvição de seu pai, por falta de provas. Mas passaram-se alguns meses e ela encontrou um envelope na casa de seu pai, contendo documentos que definitivamente não só o incriminavam, como provavam ter sido ele um dos principais autores da matança. Seu pai era um genocida. Agora Glória, revoltada, sentia-se impelida a entregar o próprio pai para a Justiça.

(inspirado no filme “Muito Mais que um Crime”, de Costa-Gavras)

Ver outros dilemas éticos.

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A hipótese de haver vida em outros planetas tem sido admitida há muito tempo. Giordano Bruno, por exemplo, foi queimado vivo por defender esta possibilidade (ver Religião, ciência e preconceito). Mas, desde que ingressamos na era da eletrônica, a possibilidade de contato com seres extraterrestres vem aumentado geometricamente. De um lado, telescópios cada vez mais potentes tem-se tornado capazes de mostrar planetas em órbita de estrelas. Radiotelescópios são apontados para milhares de pontos no céu, em busca de emissão de ondas de rádio artificiais.

Mas, principalmente, as nossas transmissões de rádio e de TV, iniciadas no século XX, estão começando a alcançar estrelas vizinhas, podendo ser captadas por outras civilizações tecnólogicas.

É cada vez mais provável que aconteça um encontro de civilizações interplanetárias, o que levanta  muitas questões. Será que poderemos confiar nestes visitantes? Se eles receberem nossas emissões de rádio e TV antes que nós recebamos as deles, conhecerão nosso comportamento histórico. Saberão que os gregos saíram guerreando e dominando povos do oriente, dos Balcãs à Índia, saberão que os romanos fundaram um império que ocupou quase toda a europa, saberão que os Hunos ocuparam a Ásia central e parte da Europa, saberão que os Espanhóis chegaram na América Latina e exterminaram civilizações milenares, saberão que os alemães, italianos e japoneses quiseram conquistar o mundo, saberão que os russos fundaram um império chamado União Soviética, saberão que os americanos usaram sem a menor clemência armas atômicas contra milhares de civis, inclusive mulheres e crianças, saberão que os franceses e depois os americanos invadiram um país pobre, chamado Vietnã. Todas estas guerras e invasões de povos mais armados e organizados contra povos mais frágeis resultou na morte e sofrimento de milhões de pessoas.

Conhecendo o passado da civilização humana, os extraterrestres pensarão duas vezes antes de fazer contato. Se forem um povo pacífico, o mais sensato seria manter-se afastados e não revelar sua localização. Assim, se eles se revelarem para nós é porque, muito provavelmente, são mais fortes e talvez tenham as mesmas intenções dos espanhóis que chegaram no novo mundo. Para frustração de quem sonha com este encontro interplanetário para elevar a civilização humana a um novo patamar, é preciso considerar que o cenário de invasão, retratado tantas vezes no cinema, é o mais provável.

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Habitantes de Gaza mantém a esperança recolhendo madeira das ruínas

Por Mohammed Ali, da Cidade de Gaza

Enquanto o número de mortos da guerra de Israel em Gaza continua a subir, Mohammed Ali, um funcionário da Oxfam (ONG inglesa dedicada a combater a fome), que vive na Cidade de Gaza, mantém um diário de seus sentimentos e experiências.

“Se eu morrer agora, pelo menos eu vou morrer com esperança.” Esta manhã, ouvi as pessoas cantarem lá fora, me perguntava o que era aquilo e, em seguida, as luzes acenderam, a eletricidade voltou; hurra! Eu imediatamente liguei a televisão, carreguei o meu telefone, verifiquei os e-mails. Por um momento, me senti um pouco liberado. Essas coisas que muitas vezes tomamos por certas se tornaram tão preciosas.

Solidariedade e confiança

Não temos água limpa sobrando. Nosso reservatório de água está vazio. Meu pai não podia afastar o crescente número de pessoas que batem à nossa porta, com latas vazias na mão. Ele não percebeu o quanto havia dado de água até que fosse tarde demais. Não fomos capazes de encontrar nenhuma água em nossa vizinhança. Podemos utilizar a água tratada, mas devemos fervê-la primeiro, para evitar ficarmos doentes. Porém, enfrentamos um outro obstáculo, temos muito pouco gás restando. Vamos ter de beber a água não tratada para que possamos economizar o resto do gás para cozinhar alimentos. Mas, se você nunca cozinhou com um queimador a gás, saiba que ele deixa a comida com gosto de gasolina, o café com gosto de gasolina, agora mesmo sinto cheiro de gasolina.

Eu recebi um telefonema de um bom amigo em Jabaliya, ele estava me dizendo quão terrível a vida tornou-se para a sua família; sons explosivos de caças F-16 constantemente agitando sua casa – não há qualquer chance de seis filhos e sua esposa dormirem. Sua irmã já deixou a casa e ele quer sair o mais depressa que puder. Ele tem uma pequena sacola pronta para sua partida. Eu disse-lhe para trazer a sua família e para permanecer conosco. Eu estou esperando ele chegar a qualquer momento.

A situação está ficando mais e mais terrível à medida que as coisas se deterioram aqui. A notícia mais recente que eu vi era de uma criança agarrada aos corpos dos pais durante quatro dias, sem que alguém fosse capaz de resgatá-la. Os cães estão começando a comer os cadáveres que ninguém foi capaz de enterrar. Esta realidade não parece estar chegando a algumas partes do mundo. Trata-se de censura, porque as pessoas não podem lidar com a verdade daquilo que está nos acontecendo? Se a verdade não aparecer, fará alguma diferença? Felizmente, recebemos muita solidariedade e confiança na nossa comunidade, nós compartilhamos o que temos. Acho que é por isso que temos apenas de nós preocuparmos com a alimentação. Alguns comerciantes estão permitindo que as pessoas comprem alimentos a crédito, as pessoas estão se endividando rapidamente. Mas solidariedade e confiança não nos alimentam agora que a comida – e, parece, tudo o mais – está se esgotando.

Mantendo a esperança viva

Eu solicitei uma bolsa no Reino Unido há vários meses. Eu estava esperando para saber no início de Janeiro se a minha candidatura foi bem sucedida. Tenho estado à espera impacientemente por dias. Eu não poderia esperar mais e finalmente liguei para o Conselho Britânico, eu queria saber o resultado para tranqüilizar a minha mente. Disseram-me que iam ligar de volta em dois minutos. Dois minutos em que quase parei de respirar – esta bolsa é a única esperança que tenho, no momento, de uma vida melhor. A moça chamou de volta e disse: “Lamento informar mas ainda não temos uma resposta para você.” Ao que eu respondi: “Por favor, seja honesta comigo, você realmente não tem uma resposta, ou você não quer me dar más notícias neste momento?” A possibilidade de ir para o Reino Unido está me dando a esperança de que preciso para viver. Minha esposa acha que sou louco, como quando eu falo com ela como se nós estívessemos indo definitivamente, quando descrevo os amigos que vamos ter, como iremos para restaurantes, os passeios que faremos em torno dos parques. Pelo menos se eu morrer, vou morrer com um pouco de esperança, a esperança de que eu terei a chance de viver uma vida melhor, mesmo que, por agora, seja só um sonho.

Original em inglês aqui.

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Por Mohammed Ali, na Cidade de Gaza

Muitos cidadãos de Gaza sentem-se sem esperanças diante dos bombardeios de Israel

Muitos cidadãos de Gaza sentem-se sem esperanças diante dos bombardeios de Israel

Enquanto o número de mortos da guerra de Israel em Gaza continua a subir, Mohammed Ali, um pesquisador da mídia para a Oxfam (ONG internacional destinada a combater a fome, a pobreza e as injustiças), que vive na Cidade de Gaza, manterá um diário de seus sentimentos e experiências.

Não somos humanos?

O ar, o mar e a terra na Cidade de Gaza já estão ocupados pelas forças militares israelitas. Também ocupam cérebros, nervos e ouvidos dos seus habitantes.

Numa tentativa de evitar que meus filhos tremam e acordem a cada som de um ataque durante as suas poucas horas de sono e as suas muitas horas sem dormir, coloquei algodão em seus ouvidos . Não tem funcionado.

Eu imagino o quanto isto está sendo prejudicial para seus coraçõezinhos, que não são tão grandes quanto o meu. Eles suportam menos o estresse que lhes está sendo colocado.

Nós usamos todo o combustível do nosso gerador, o que significa que ficamos confinados em uma pequena sala com onze pessoas, com pouca luz durante três dias.

Não temos água pois só podemos bombear água com eletricidade, o que tem sido negado para a Faixa de Gaza desde que este pesadelo começou.

Ao contrário de muitas outras famílias, fomos abençoados ao encontrar 20 litros de benzeno para o nosso gerador. Não chega combustível aqui desde o início deste ataque em Gaza, de modo que tivemos de pagar sete vezes o seu preço habitual.

Temos alimentos só para mais um dia e as fraldas que comprei há duas semanas, já quase terminaram. Eles não são de boa qualidade e pouco tem sido capaz de entrar nesta faixa de terra desde o bloqueio que nos foi imposto há 18 meses. Má qualidade das fraldas significa desagradáveis vazamentos, e para os últimos dias os mais pequenos tiveram de ser banhados em água fria, quase congelante.

A minha irmã que estava conosco na última vez que eu escrevi decidiu voltar para casa, apesar dos nossos protestos. Ela temia que, com reservas alimentares esgotando-se, poderemos ter de comer uma refeição por dia e não duas, como temos feito nos últimos tempos. Em casa ela tem um pouco de comida restando, o suficiente para mantê-la e sua família para passar um tempo mais longo.

Somos agora 11, vivendo juntos na sala de jantar de meus pais. Meu irmão e eu, e as nossas famílias lá, pensando que o primeiro andar pode ser a opção mais segura.

Existe um provérbio árabe que diz que a “morte de um grupo é uma misericórdia”. Acho que se morrermos juntos talvez, só talvez, sentiremos menos dor do que se morrermos sozinhos.

Dormi apenas 8 horas desde o início deste conflito, pois podemos ouvir ataques quase a cada minuto.

Penso comigo mesmo, se um de nós for ferido ou necessitar de atenção médica o que vai acontecer? Ambulâncias estão encontrando dificuldades para chegar aos civis, estradas estão bloqueadas por escombros, as forças israelitas em seu caminho – você poderia sangrar até a morte.

Mesmo que eles conseguissem chegar até nós, talvez a ambulância fosse bombardeada no caminho para o hospital. Se conseguíssemos chegar ao hospital, não há espaço suficiente para nos tratar – há pouca ou nenhuma medicação ou equipamento ou eletricidade para alimentar os aparelhos hospitalares. Nós nem sequer seríamos capazes de sair de Gaza para o tratamento que precisássemos.

Hospitais estão agora usando geradores de eletricidade, o que torna a vida ainda mais difícil para os médicos que estão lidando com o afluxo de feridos. Se o combustível para os geradores se esgotar, os equipamentos de salvação param de funcionar.

Ouvi uma mulher em uma estação de rádio hoje – a ambulância e os bombeiros não puderam chegar a ela e eu acho que ela pensava que a estação de rádio poderia ser capaz de fazer alguma coisa. Ela estava gemendo baixo ao telefone: “A nossa casa está pegando fogo, minhas crianças estão morrendo, me ajude”. Eu não sei o que aconteceu com ela e seus filhos. Não quero imaginar.

Perco muito do meu tempo a pensar que esta poderia ser a última hora da minha existência.

Quanto eu tento adormecer, ouço no rádio o número de pessoas que morreram nas últimas horas. Pergunto-me se amanhã de manhã, vou fazer parte dessa contagem, uma parte da próxima notícia.

Eu serei apenas mais um número para todas as pessoas assistindo à morte e destruição em Gaza ou talvez o fato de eu trabalhar para a Oxfam signifique que vou ser um nome, e não apenas um número. Eu provavelmente seria lembrado durante um minuto e momentos mais tarde esquecido, como todas as outras pessoas que tiveram suas vidas tomadas deles.

Não tenho medo de morrer, eu sei que um dia todos nós devemos morrer. Mas não assim, não sentado ociosamente em minha casa com meus filhos nos meus braços, à espera de nossas vidas serem retiradas. Estou furioso por esta injustiça.

O que a comunidade internacional espera para agir? Ver ainda mais pessoas e famílias desmembradas? O tempo está passando e os número de mortos e de feridos estão aumentando. O que eles estão esperando?

O que está acontecendo é contra a humanidade, nós não somos humanos?

Artigo originalmente publicado em inglês na Aljazeera.net.

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O vídeo pode ser visto abaixo. Tem a finalidade de arrecadar fundos para ajudar as vítimas e refugiados da guerra no Congo.

O vídeo, muito interessante,  é focado na reconstrução do país e chama a atenção internacional para a tragédia. Mas não traz nenhuma informação sobre o verdadeiro motivo do conflito: o Coltan (ver Tecnologia suja de sangue )

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