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Posts Tagged ‘Mein Kampf’

espelho“A humanidade, em constante progresso, trata abertamente de combater enfermidades sobre as quais antes achava necessário estender o manto da vergonha e do silêncio. A higiene política ainda não progrediu até este ponto. A causa fundamental da enfermidade do corpo nacional alemão tem suas raízes na excessiva influência judaica. Se tal era já há muitos anos a convicção de algumas inteligências preclaras, é tempo de que também as massas, menos inteligentes, comecem a vê-lo. O que é certo é que toda a vida política alemã gira ao redor desta idéia, e já não é possível ocultar este fato por mais tempo. Segundo a opinião de todas as classes sociais, tanto a derrota depois do armstício, como a revolução e as suas conseqüências, sob as quais sucumbe o povo, são obra da astúcia e de um plano premeditado dos judeus.”

Este trecho não foi extraído de um discurso de Hitler, nem do livro Mein Kampf. Está no livro “O Judeu Internacional”, de Henry Ford, ele mesmo, que fundou a companhia Ford de veículos. Ford é, em geral, considerado um herói, que dividia seus lucros com os empregados. O livro baseia-se nos “Protoc180px-Service_Cross_of_the_German_Eagleolos dos Sábios do Sião“, uma suposta conspiração de judeus para dominar o mundo, que depois se revelou ser uma fraude. Ford retratou-se, embora alguns afirmem que não foi por ter se arrependido. Mas isso não impediu que Hitler declarasse que considerava Ford sua inspiração. Dizem que Ford foi mais que isso, pois teria contribuído com recursos para a campanha política de Hitler em 1922 (fonte). Ford foi condecorado, em 1938, com a Grã-Cruz Germânica, a maior homenagem feita pelo Nazismo a um estrangeiro.

Tanto o livro “O Judeu Internacional” quanto os “Protocolos dos Sábios do Sião” foram alguns dos livros editados, no Brasil, por Sigfried Ellwanger, além de outros defendendo que o Holocausto não aconteceu. A edição desses livros resultou na acusação de que ele fazia apologia de idéias preconceituosas e discriminatórias. O editor foi condenado criminalmente.  O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal, que negou Habeas Corpus, em voto relatado pelo Ministro Maurício Correa, no HC 82424. A íntegra do voto pode ser lida no site do STF. Não linkamos aqui por ter 16 Mb, mas vale a pena ler.

Infelizmente, é muito fácil achar na internet sites com apologia de idéias preconceituosas e discriminatórias. Também é fácil achar à venda exemplares dos livros editados por Sigfried Ellwanger.

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No começo deste mês a publicação do Livro Mein Kampf, de Adolf Hitler, foi noticiada, como vemos nesta matéria da BBC online, de 3 de dezembro:

Livro de Hitler ganha versão em mangá no Japão


Dois polêmicos e famosos livros ganharam os traços do mangá no Japão. Mein Kampf (em português, Minha Luta), escrito na prisão por Adolf Hitler, chegou às livrarias japonesas em novembro. Agora, em dezembro, é a vez de O Capital, de Karl Marx.

A iniciativa foi da editora japonesa East Press, que resolveu incluir estas duas obras na sua coleção Clássicos da Literatura em Mangá.

“A idéia é oferecer ao leitor a possibilidade de ler um clássico e entender os conceitos em apenas uma hora”, explicou o editor-chefe Kosuke Maruo à BBC Brasil. manga-2

Mein Kampf é um livro polêmico, pois contém as sementes da ideologia anti-semita e nacionalista que marcou o nazismo. “A idéia não é apresentar Hitler como vilão ou herói, mas apenas mostrar quem era e o que ele pensava. Não estamos preocupados com polêmicas”, disse Maruo.

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Comentário Cogitamundo:

Fatos como estes levam a refletir sobre o conflito entre dois princípios: Liberdade de expressão x não apologia do ódio e da intolerância. O livro não é proibido no Brasil e tem valor como documento histórico. Mas não podemos esquecer que se trata de explícita propaganda nazista. Além disso, a transformação do livro em Mangá importa em resumir e reinterpretar as idéias, e não sabemos qual o resultado disso. É importante notar que a linguagem Mangá é direcionada ao público jovem e, portanto, o cuidado deve ser ainda maior com o conteúdo. A publicação causou bastante discussão entre os leitores de HQ, como podemos ver no blog Melhores do Mundo

Apoiamos uma sugestão lançada entre os comentários dos leitores de HQ: o lançamento do Dom Casmurro, de Machado de Assis, em Mangá. Esperamos que seja melhor do que a versão em formato minissérie da Rede Globo.

A edição deste Mangá chamou especialmente a atenção  porque o Japão foi aliado do nazismo na 2ª guerra mundial. Mas não se pode acusar os editores de preferência por alguma ideologia, pois também publicaram o Capital, de Karl Marx, versão Mangá.

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