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Posts Tagged ‘mulher’

(fonte: Calcinhas na Rede)

Marina Silva tem uma história de vida surpreendente. Aos 16 anos, o tratamento para malária (na verdade ela tinha hepatite) destruiu seu fígado. Desenganada pela primeira vez, reagiu “não morro de jeito nenhum!” Repetiu esta frase em outras três ocasiões, quando as consequências dos tratamentos errados e as doenças verdadeiras, algumas resultado da pobreza da infância, continuaram a assombrá-la. Mas tem vencido sempre. E vem revertendo as adversidades em seu favor. A doença obrigou-a a sair da pequena cidade em busca de tratamento. Durante este, finalmente teve oportunidade de estudar e ser alfabetizada. Recentemente desgastou-se no Governo ao ser atacada por agressores e  defensores da natureza. Saiu do Ministério do Meio Ambiente. Volta à cena ao se desligar do PT e possivelmente ser candidata à Presidência da República. Mereceu a capa de todas as grandes revistas e jornais. Modificou instantaneamente o cenário político que parecia polarizado entre situação e oposição.

marina silvaDo trabalho nos seringais, no meio da floresta, ao trabalho de empregada doméstica, na cidade. Tornou-se aspirante à freira. Depois professora de história. O coração batia forte pela vontade de ajudar os povos da floresta, o que a levou a uma carreira política acelerada, de Deputada Estadual à Senadora. Realmente a vida de Marina Silva é quase inacreditável. Mas tem uma explicação simples: a vontade desta mulher de fazer o seu próprio destino.

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resistenciaAgnès Humbert teve a chance de fugir para o sul da França, antes que Paris fosse invadida pelos nazistas. Também poderia continuar com seu trabalho de bibliotecária, apenas observando a colonização de seu país. Mas ela sentiu que enlouqueceria se não fizesse alguma coisa para reagir. Em Paris, ela reuniu-se a uma dúzia de companheiros com a mesma sensação. O plano era simples, uma pequena organização com o objetivo apenas de trocar notícias, redigir e distribuir panfletos. Mas parte do grupo pagaria com a própria vida a reação. Eles sabiam que isto poderia acontecer mas não recuaram.

Agnés Humbert sobreviveu à escravidão. Foram anos de sofrimento em que ela lutou para manter a sanidade e um mínimo de dignidade. No livro “Resistência” ela relata os anos em que passou por esta provação.

A pergunta que me faço é como reagiríamos na situação vivida por Agnès. Será que teríamos sua força e coragem? A força e a coragem de uma mulher que não escolheu estar em guerra, mas escolheu defender a sua pátria.

”As mulheres sempre perdem a guerra. Não a querem, mas a perdem. Perdem quando estão no caminho dos exércitos e se tornam botim. Perdem quando batalham em silêncio nas cidades esvaziadas dos seus homens, para manter sólida a retaguarda e conservar a ordem do país. Perdem quando recebem os seus homens num caixão ou quando eles voltam com o equilíbrio despedaçado. Perdem quando se apaixonam pelo inimigo e quando o inimigo se apaixona por elas.”

Trecho do prefácio de Marina Colsasanti

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Três culturas e a (quase) mesma violência contra as mulheres:

Alcorão (cultura islâmica)

“24ª SURATA

2 Quanto à adúltera e ao adúltero (aqui a regra vale para ambos os sexos), vergastai-os com cem vergastadas, cada um; que a vossa compaixão não vos demova de cumprir a lei de Deus, se realmente credes em Deus e no Dia do Juízo Final. Que uma parte dos fiéis testemunhe o castigo.”

Velho Testamento (cultura judaico-cristã)

“Levítico 21

7 Não tomarão mulher prostituta ou desonrada, nem tomarão mulher repudiada de seu marido; pois santo é a seu Deus.

9 E quando a filha de um sacerdote começar a prostituir-se, profana a seu pai; com fogo será queimada.”

Manusrti – Código de Manu (cultura hindu)

“Art. 368 – Se uma mulher, orgulhosa de sua família e de suas qualidades, é infiel ao seu esposo, que o rei a faça devorar por cães em um lugar bastante frequentado.”

Mas em relação ao homem que for a razão da infidelidade, a pena não é de morte:

“Art. 349 – que o rei bane, depois de havê-los punidos com mutilações infamantes, aqueles que se aprazem em seduzir as mulheres dos outros.”

Não queremos favorecer nenhuma religião, mas é até irônico ver que no Alcorão a maioria absoluta das regras de comportamento vale igualmente para homens e mulheres. Uma das exceções é o uso de véu.

Até há poucos anos atrás, muitos homens que assassinaram suas mulheres por adultério foram absolvidos sob a alegação de “legítima defesa da honra”, apesar disso não estar em nenhuma lei. O adultério (de homens e mulheres) era criminalizado, mas deixou de ser em 2005.

A tese de “legítima defesa da honra” foi criada pelo advogado Evandro Lins e Silva, no julgamento de Doca Street pelo assassinato de Ângela Diniz. Recentemente o assassino escreveu um livro em que pede perdão à Ângela Diniz. O trecho em que o assassino conta sua versão pode ser lida aqui. A versão de Ângela nunca poderá ser contada, a não ser pelos diversos tiros que ela recebeu em seu corpo, aos 32 anos. O fato de alguém lucrar com as memórias de um crime que cometeu, ainda mais um assassinato, sempre causa repulsa.

O advogado Evandro Lins e Silva, na defesa de seu cliente, vasculhou o passado de Ângela e a classificou em termos como ” prostituta da Babilônia” e “vênus lasciva”.

No livro, o próprio assassino lembra uma frase dita por Carlos Drummond de Andrade: “Aquela moça continua sendo assassinada todos os dias e de diferentes maneiras”.

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Dado, cumpra a Lei Maria da Penha

(postado no blog Viva Mulher)
Uma pesquisa recente do Ibope/Themis indica que 68% das brasileiras já conhecem a Lei Maria da Penha, considerada um avanço no combate à violência contra a mulher. Mesmo assim, de acordo com a enquete, 42% das vítimas de ataques ou hostilidades não costumam procurar apoio.
No ano passado, um episódio envolvendo os globais Dado Dolabella e Luana Piovani terminou com o ator indiciado por agressão dentro dos parâmetros da Lei Maria da Penha. Recentemente ele foi preso por descumprir determinação judicial que o obrigava a não se aproximar de Piovani, sua ex-namorada.
“A Lei Maria da Penha é muito dura e precisa ser respeitada, não é brincadeira. Se ele chegou em um lugar onde a Luana estava, ele deveria ter saído do local”, afirmou a delegada Inamara Costa, responsável por deter Dolabella.
Há, porém, quem discorde e ainda por cima insista em palpitar publicamente sobre o caso: “Vamos supor que o Dado esteja mastigando um delicioso atum no Sushi Leblon e, repentinamente, entra a Luana. O que deve ele fazer? Fugir dali, correndo, sem pagar a conta? Ou ainda ir para debaixo da mesa, chamar o garçom, explicar a situação, cobrir o rosto com um guardanapo e sair de fininho?”, disse o vice-presidente de operações da Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, em seu blog.
Sim, meu caro, é exatamente isso: ele deve deixar o local imediatamente. A acusação contra Dolabella é apenas uma das centenas ou milhares que se enquadram na Lei Maria da Penha. Se nem ele, que é vigiado 24 horas por dia por paparazzis, respeita a nova legislação, por que os demais o fariam?
Ao dizer isso não acho que Dolabella tenha que ser um mártir ou a única prova concreta do engajamento do Brasil no combate à violência contra a mulher. Mas ele tampouco pode ser um exemplo negativo. Qualquer um que cometeu uma agressão, tem que responder por isso. Simples assim.
E se a legislação endureceu, é porque as leis anteriores não foram suficientes para evitar mortes, mutilações, estrupros e todo o tipo de agressões. Não é à toa que homenagearam a farmacêutica Maria da Penha: em 1983, o marido dela, um professor universitário, tentou assassiná-la por duas vezes. Na primeira com arma de fogo, deixando-a paraplégica, e na segunda por choques elétricos e afogamento. Contudo, ele só foi punido depois de 19 anos de julgamento e ficou apenas dois anos cumprindo pena em regime fechado.
Escrito por Maíra Kubík Mano às 11h01

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gravidaOutra propaganda da Schincariol que causa polêmica é aquela em que é utilizada a imagem de uma mulher grávida consumindo cerveja sem álcool. Mais uma vez, associa-se a mulher à bebida alcólica. E de forma especialmente irresponsável e temerária. É que, na verdade, este tipo de cerveja também contém álcool, embora em baixa dosagem. A peça publicitária chegou a ser discutida, e criticada, em um blog de portugal.

A cerveja vendida como sem álcool pode causar danos à saúde, conforme notícia publicada no CONJUR:

Para o diretor do Centro de Assistência Toxicológica do Hospital das Clínicas de São Paulo, Antony Wong, “as cervejas ditas sem álcool podem trazer danos a três grupos de risco quanto à ingestão de bebidas alcoólicas”. O primeiro grupo, segundo Wong, são as pessoas sensíveis ao álcool e vinagres, tidos como alérgicos, que não podem consumir nenhuma gota de bebida alcoólica ou vinagre, porque podem se intoxicar e ter as mais diversas reações alérgicas: “brotoejas na pele, dores de cabeça entre outros sintomas”, alertou o especialista.

O segundo grupo são das pessoas que fazem uso de remédios controlados para o coração, Epilepsia, Mal de Parkinson, Depressão além de outras doenças. Essas pessoas, que precisam de acompanhamento de remédios, podem, se ingerirem álcool, ter reações adversas aos componentes do remédio.

O terceiro grupo é composto pelos ex-alcoólatras que, também, não podem ingerir o mínimo de álcool, pois podem ter uma recaída, “que dependendo do organismo pode levar a óbito”, sentenciou Wong.

O médico Antony Wong considera o fato como “um atentado ao consumidor, já que a informação no rótulo do produto é tão minúscula”.

Poderia o médico ter acrescentado o perigo para as mulheres grávidas.nova-schin-formulablog-1

De acordo com Portaria do Ministério da Agricultura, é considerada sem álcool bebida que tenha menos de 0,5% de álcool em sua composição. Mas, pelo código do Consumidor, a empresa é obrigada a alertar o consumidor sobre a existência de álcool, em baixa dosagem, o que não é feito.

Pesquisando na internet, não conseguimos confirmar se a campanha usando uma mulher grávida foi realmente veiculada.

Mas uma outra propaganda da “cerveja sem álcool” da Schincariol, que foi confirmadamente lançada, aproveitou a Fórmula 1 no Brasil. É também uma irresponsabilidade  ligar a idéia de bebida (com álcool ou sem álcool, é cerveja e divulga a marca) com pilotagem de carros, o que, claro, é uma péssima combinação.

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“É legal ter uma garota pela casa.”

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CASOU? Não há razão para negligenciar as meias!

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“É sempre ilegal matar uma mulher?”

As propagandas acima nos fazem refletir sobre o quão recente é a conquista de direitos pelas mulheres. Os cartazes parecem estar situados num contexto há muito superado. Mas, infelizmente, a violência contra a mulher continua existindo. A publicidade, como forma de retratar e perpetuar a cultura, seja nos seus aspectos positivos, seja nos negativos, tem uma parcela de responsabilidade. Ela deve ser ética tanto ao não reproduzir e reforçar esta violência, mas também ao cuidar para que a igualdade e o respeito à dignidade da mulher estejam presentes nas suas mensagens. Pode ser um pensamento ingênuo, mas acreditamos que é possível ser ético na publicidade. Porém, a sociedade precisa exigir isso.

Um dos caminhos é denunciar ao CONAR quando for veiculada publicidade que desrespeita as mulheres, pois é missão institucional desta entidade, justamente, preservar a ética, como se vê no seu estatuto:

Artigo 19 – Toda atividade publicitária deve caracterizar-se pelo respeito à dignidade da pessoa humana, à intimidade, ao interesse social, às instituições e símbolos nacionais, às autoridades constituídas e ao núcleo familiar.
Artigo 20
– Nenhum anúncio deve favorecer ou estimular qualquer espécie de ofensa ou discriminação racial, social, política, religiosa ou de nacionalidade.

Contudo, propagandas de bebida, principalmente de cerveja, ainda tem conteúdo sexista, tratando as mulheres como objetos, mas são toleradas:

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fonte: Maria Maria – Mulheres em Movimento

Mas não é de hoje que se associa mulheres à cerveja:

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fonte: Extra online

Não sabemos qual a relação entre cerveja e mulheres. Mas temos certeza de que há uma estreita relação entre o consumo de bebidas alcólicas e a violência praticada contra as mulheres.

Além do CONAR, abusos praticados por meio de publicidade podem ser denunciados ao Ministério Público. Se a propaganda for veiculada nacionalmente, a denúncia pode ser dirigida ao Ministério Público Federal.

Ver também “Pelo fim da violência contra as mulheres“, “A luta das mulheres pela igualdade de direitos” e “Publicidade politicamente incorretíssima

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pintura de Eugène Delacroix

pintura de Eugène Delacroix

Precisamos sempre recordar como tem sido longa e sofrida a luta da mulher pelo reconhecimento de seus direitos.

Marie Gouze (1748-1793), filha de um açougueiro do Sul da França, adotou o nome de Olympe de Gouges para assinar seus panfletos e petições em uma grande variedade de frentes de luta, inclusive pelo fim da escravidão. Em 1791 ela propõe uma Declaração de Direitos da Mulher e da Cidadã para igualar-se à Declaração dos Direitos do Homem, aprovada pela Assembléia Nacional. Nesta, a palavra “homem” não se refere a ser humano, pois não se aplica às mulheres. Marie Gouze opõe-se abertamente a Robespierre. Condenada como contra-revolucionária e denunciada como uma mulher “desnaturada”, foi guilhotinada em 1793.

Leia a Declaração dos direitos da mulher e da cidadã

Este documento foi proposto à Assembléia Nacional da França, durante a Revolução Francesa(1789-1799).

No Brasil, as mulheres conquistaram o direito de votar e serem votadas em 1933 (ver texto1 e texto2).

Embora na Argentina este direito tenha sido conquistado depois, em 1949, lá as mulheres têm tido maior participação política. Na Suíça o direito de voto veio apenas em 1971.

ver também Pelo fim da violência contra as mulheres

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